Mais que frase

Nossa justiça é absurda, abcega e abmuda. Carlito Maia

É crer para ver!

Segundo o The Guardian, na próxima semana, a Budweiser lançará uma campanha na TV inglesa, usando All Together Now dos Beatles como tema musical.

O clipe nos coloca espiando pela janela de algo como um metrô de superfície. Para isso, levaram cinco dias e 50 horas de edição para sincronizar áudio e vídeo, mas não gostei do resultado: tudo aparece pequenininho demais.

Como a exibição tenta acompanhar o ritmo da música, mal dá para ver o desfile de imagens pretensamente bizarras, como uma abelhona saltitando em uma minicama elástica.

Muitíssimo mais interessante é a sequência da imagem repetida de um bigodudo de chapéu coco que move os lábios com os dentes cerrados, acompanhando o refrão no finalzinho de All Together Now, no Submarino Amarelo.

Apesar dos seus quarenta e tantos anos…

No clipe da Budweiser, quem faz o cover da música dos Beatles é o The Hours, que teve um clipe polêmico com a música See the light.

Na verdade, no clipe, mais do que a música, os destaques são a atuação da Sienna Miller (completamente diferente da Nikki, do filme Alfie, o sedutor) e a direção do ótimo Tony Kaye.

Talvez até as vacas estripadas chamem mais atenção do que o fundo musical.

Para o comercial da Budweiser, o The Hours gravou o cover de All Together Now em um quarto de hotel, usando sons orgânicos (na opinião deles) na percussão: a batida de um extintor de incêndio no aquecedor do quarto.

O resultado condiz com tanta falta de criatividade.

Coverzinho muito chulé!

Sei que é covardia comparar, mas um dos covers de que mais gosto é o do What a Wonderful World, do Joey Ramone, que também acabou virando comercial da Coca-Cola.

Visualmente, o comercial é horroroso, mas a versão do Joey é de fazer o próprio Armstrong rebolar.

E, por falar no Joey…

parece que enfim acabou a pendenga jurídica sobre direitos autorais e um segundo CD de inéditas do Joey sairá ainda este ano.

É crer para ver!

Seja impune, seja marginal

Seja impune, seja marginal (1)

Elias Maluco gozava de liberdade condicional quando assassinou cruelmente o Tim Lopes em 2002. Foi condenado a 28 anos e seis meses de prisão em regime integral, ou seja, cumprimento da pena completa.

Semana passada, o advogado conseguiu mudar a pena para que, depois de completado um terço, o réu tenha direito a regime semiaberto ou liberdade condicional. Como já cumpriu sete anos, o matador cruel poderá voltar às ruas durante o dia, retornando à cadeia só para dormir.

Em sua crônica de hoje na Folha, Ruy Castro comenta:

Elias Maluco à solta, de chinelo e bermuda nos fundos de uma birosca, é, de fato, uma ameaça. Mas não maior que a dos calçudos e engravatados por trás dele.

Seja impune, seja marginal (2)

Deu na Folha: segundo o Ministério Público, em 2003, no Mato Grosso do Sul, o ex-atleta Zequinha Barbosa e seu ex-assessor Luiz Otávio Flores da Anunciação submeteram à prostituição três adolescentes, que na época tinham 13, 14 e 15 anos. As meninas estavam em um ponto de ônibus e foram contratadas para acompanhá-los a um motel, onde teriam mantido relações sexuais.

Em 2004, em primeira instância, Zequinha foi condenado a cinco anos de reclusão e Anunciação, a sete. No ano seguinte, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul os absolveu.

A Procuradoria Geral de Justiça do estado recorreu e o caso chegou ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) que, em sentença de 5 de maio passado, considerou não ser crime manter relações sexuais com menores de 18 anos que sejam prostitutas.

Para os excelsos ministros, o crime previsto no artigo 244-A do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) não abrange o cliente ocasional e “só seria grave se as garotas tivessem sido iniciadas na prostituição por eles”.

A decisão absolveu os dois acusados de exploração sexual de adolescentes.

Sem justiça, existe democracia?

Garotada danadinha

Podres poderes

A um ano da eleição presidencial, a oposição (que é oposição apenas porque disputa o poder, sem qualquer proposta de governo diferente do que está aí), propõe mais uma CPI. Mero jogo de cena, só para ganhar as luzes dos refletores. Mais uma CPI que não vai apurar nada, nem vai punir ninguém.

A Petrobras, alvo da nova CPI, toma suas providências:

  • Apesar do inchaço da cumpanherada na folha de pagamento, contrata uma empresa de comunicação para assessoria específica em uma CPI que nem foi ainda aprovada no congresso.
  • Cria um blog, divulgando e comentando perguntas de jornalistas antes mesmo de respondê-las aos interessados.

Com essa tentativa de esvaziar a motivação para a CPI, a Petrobras acabou gerando o início de uma oportuníssima discussão sobre os critérios éticos adotados pela sua administração atual. Mancando com o tiro no pé, recuou e anunciou que decidira aguardar a publicação das matérias jornalísticas antes de divulgar informações no blog.

Uma luz no fundo do poço

Como “protesto por ver uma empresa com mais de 50 anos de história, pertencente ao povo brasileiro, ser usada de maneira ridícula para atacar um dos pilares de uma sociedade democrática chamado imprensa livre”, um estudante de publicidade, criou em 20 minutos um blog com domínio semelhante (petrobrasdadosefatos.wordpress.com) parodiando o blog oficial (petrobrasfatosedados.wordpress.com) e layout semelhante, com o toque sutil dos narizes de palhaço nas imagens de trabalhadores no banner.

petro_fatosdados

Nos posts, o garoto mostra como o blog oficial da Petrobras distorce fatos (Blog da Petrobras: Transparência nebulosa II), só permite comentários da cumpanherada (O blog da Petrobras e seus comentaristas), responde de forma incompleta ou foge toscamente da resposta (Transparência Nebulosa) e muito mais. Imperdível!

O melhor de tudo é que o comportamento arrogante, antiético e inaceitável da atual administração da Petrobrás fica definitivamente desmoralizado pela inteligência e irreverência (e um pouquinho de molecagem) de um garoto.

Com uma garotada assim, dá para ter esperança no futuro!

Lembranças de Ponta Porã

Sou extremamente grato ao Celso Villas Boas que me enviou os exemplares das edições de 29 de abril e 6 de maio, em que O Jornal Regional, de Ponta Porã, MS, homenageou um de seu filhos: o detetive Perpétuo. Reproduzo abaixo um trecho da publicação.

jornalregionalPonta Porã tem filhos que foram destaques por esse Brasil afora. Em uma nova história, o militante político Mauro Velilha relata a vida de Perpétuo Freitas da Silva, um jovem pontaporanense que chegou à antiga Capital Federal, a cidade do Rio de Janeiro, para ser um respeitado delegado na década de 1950.

No vilarejo de São Thomas, em Ponta Porã, perto da atual fazenda 3 Coxilhas, foi a moradia da família do casal Antonio Silva e Generosa de Freitas, nos anos 40. O casal teve vários filhos, entre os quais, Perpétuo.

Na época, o menino Perpétuo auxiliava os pais na lida do sítio. No descanso e tempo disponível, o então garoto gostava de caçar passarinho e pescar nos riachos da região. Mais tarde, ’seo’ Antonio Silva, compreendendo que os filhos deveriam estudar, resolveu mudar com a família para a cidade, fixando residência na rua Maracaju do antigo bairro Monte Castelo, hoje região central de Ponta Porã.

Nesse tempo, o futuro detetive carioca cursou o ginasial, no extinto colégio Dom Bosco. Na ocasião, por ser atleta e afável orador, foi escolhido entre os colegas para discursar na recepção do então presidente da República, Getúlio Vargas, que visitaria Ponta Porã para propagar e vistoriar o programa de governo Marcha para o Centro~Oeste.

No estrado do ato público, Perpétuo alcançou êxito. Sua oratória causou alegria na comitiva presidencial, de tal maneira que o mandatário da Nação Brasileira rompeu o protocolo por várias vezes para cumprimentá-lo.

O chefe da segurança presidencial era o saudoso Filinto Müller, matogrossense de Cuiabá. Igualmente exercia a Diretoria Geral de Polícia do então Distrito Federal. Müller, ao deparar-se com Perpétuo de Freitas foi mais adiante, estendendo uma oferta de trabalho no Rio de Janeiro e proporcionando a oportunidade de um curso de detetive na Academia de Polícia carioca.

Perpétuo, após consultar os pais, concorda com a oferta de emprego. Em uma manhã fria no aeroporto da Princesinha dos Ervais, despede-se da família e dos amigos e segue em um avião militar com destino à antiga capital do Brasil.

Na Cidade Maravilhosa, a recepção e hospitalidade foi de Filinto Müller que imediatamente encaminhou seu conterrâneo à Academia de Polícia e assim conseguiu formar Perpétuo, um excepciional detetive da época.

O detetive Perpétuo, ilustre filho desconhecido de Ponta Porã, então cidade do interior do Mato Grosso Uno, passou a atuar como delegado e desvendou vários casos policiais. Seus procedimentos para encontrar uma violação da lei penal era o uso do diálogo, jamais a tortura. Muitas vezes, alguns malfeitores auxiliavam na elucidação dos crimes, fornecendo informações exatas.

Com isso, esse ilustre cidadão fronteiriço chegou ao auge da carreira como delegado. A crônica policial carioca estampava todas as semanas um artigo sobre o seu trabalho. Ganhou também assunto de destaque na mídia nacional, pois descobriu e prendeu nas favelas e nos morros cariocas os autores do assalto do trem pagador, conhecido mundialmente como um dos crimes de maior repercussão na área policial. Inclusive esse episódio virou tema de filme, com o ator Reginaldo Faria no papel principal.

Esse delito, diga-se de passagem, foi acontecimento dos jornais do exterior. Além do mais, esse filho de Ponta Porã conseguiu naquele período todas as honrarias policiais.

Nesse meio tempo, aproveitando férias, o já famoso detetive vem a Ponta Porã onde é recepcionado por familiares, amigos e admiradores em jantar de gala oferecido no então restaurante do falecido Ivo da Baiúca. O evento foi espetacular. No ensejo, o célebre detetive, após a ceia, discursou de improviso para os convidados, destacando a necessidade de o município de Ponta Porã ter um filho legítimo na Câmara Alta Federal, atual Congresso Nacional.

Naquela noite só faltou se apresentar como pré-candidato. Isso não ocorreu, horas depois, por questão familiar. Mas, se existir curiosidade sobre a matéria, é só indagar seus amigos de infância, Nilo Machado ou Jorge Maciel. Esses realmente sabem do caso. Não cabe comentarmos a história.

Terminadas as férias, Perpétuo volta ao Rio de Janeiro e é escalado em uma missão no morro da favela da Rosinha: o encargo de investigar o crime conduz ao êxito. Todos os ennvolvidos da quadrilha foram presos.

Novamente, Perpétuo volta às manchetes dos jornais e de toda a imprensa como detetive de sucesso. Isso trouxe um caos no meio policial, por causa da inveja dos colegas que não aceitavam tal situação. E ele, dentro desse órgão policial recebe sua sentença de morte, ou seja, Perpétuo foi morto em uma emboscada pelos próprios companheiros de serviço. Só que até hoje essa morte não foi esclarecida pelo Governo.

Enquanto vivo, Perpétuo enalteceu e engrandeceu seu Estado, sua Princesinha dos Ervais, com suas atitudes. Foi um profissional de brio, um amigo leal de quem até hoje guardamos grandes recordações. Na gestão de um amigo, então prefeito, Perpétuo foi homenageado com seu nome atribuído a uma rua no atual bairro Monte Castelo.

Perpétuo caiu no no ostracismo. Poucos conhecem sua história, mas ficará·vivo na lembrança dos seus familiares e poucos amigos.

Como se vê, Ponta Porã tem ilustres filhos desconhecidos que foram destaques onde atuaram.

Notas:

  • O detetive Perpétuo nunca conseguiu chegar a delegado de polícia.
  • Em uma única vez, Perpétuo foi candidato a cargo eletivo. Apesar de getulista de coração, não conseguindo legenda no PTB, foi candidato a vereador do Distrito Federal em 1954, pelo PTN, Partido Trabalhista Nacional, formado por dissidentes do PTB. Não se elegeu. Faltaram-lhe cerca de 750 votos para assegurar uma cadeira na Câmara de Vereadores. A derrota nas urnas de certa forma não o surpreendeu: Perpétuo sabia que grande parte do enorme público que sempre prestigiava seus comícios não tinha direito a voto.

Lição do dr. Sobral Pinto

Em 19 de maio, Augusto Nunes escreveu sobre a possível libertação de Suzane Von Richthofen, presa pela morte dos pais, gerando comentários que o levaram a um segundo artigo, A falta que faz um Sobral Pinto, em que cita trechos de uma carta do dr. Sobral Pinto ao poeta Augusto Frederico Schmidt, de 1944, que, mais do que uma luminosa aula de Direito, é uma lição de vida irretocável.

”O primeiro e mais fundamental dever do advogado é ser o juiz inicial da causa que lhe levam para patrocinar”, ensina à certa altura. “Incumbe-lhe, antes de tudo, examinar minuciosamente a hipótese para ver se ela é realmente defensável em face dos preceitos da justiça. Só depois de que eu me convenço de que a justiça está com a parte que me procura é que me ponho à sua disposição”. A regra vale também para velhos amigos? Claro que sim: ”Não seria a primeira vez que, procurado por um amigo para patrocinar a causa que me trazia, tive de dizer-lhe que a justiça não estava do seu lado, pelo que não me era lícito defender seus interesses”.

Outros trechos ensinam a proteger os códigos éticos da profissão de socos e pontapés hoje desferidos tão rotineiramente: ”A advocacia não se destina à defesa de quaisquer interesses. Não basta a amizade ou honorários de vulto para que um advogado se sinta justificado diante de sua consciência pelo patrocínio de uma causa. (…) O advogado não é, assim, um técnico às ordens desta ou daquela pessoa que se dispõe a comparecer à Justiça. (…) O advogado é, necessariamente, uma consciência escrupulosa ao serviço tão só dos interesses da justiça, incumbindo-lhe, por isto, aconselhar àquelas partes que o procuram a que não discutam aqueles casos nos quais não lhes assiste nenhuma razão”.

A aula termina com palavras que deveriam ser reproduzidas em bronze nos pórticos e auditórios das faculdades de Direito: ”É indispensável que os clientes procurem o advogado de suas preferências como um homem de bem a quem se vai pedir conselho. (…) Orientada neste sentido, a advocacia é, nos países moralizados, um elemento de ordem e um dos mais eficientes instrumentos de realização do bem comum da sociedade”.

Sem um mala para encher a paciência, solteiras estão com tudo

Deu na Rádio Tupi:

As novas solteiras têm entre 25 e 35 anos, são bem-sucedidas profissionalmente ou estão a caminho disso.

Em comparação com as casadas, ocupam postos mais altos no trabalho (47 contra 34%), vão mais à praia (46 contra 42%) e lêem mais (39 contra 35%).

As novas solteiras também saem mais, se sustentam e têm carro próprio.

Só a partir dos 30 anos, procuram companheiro, desde que à altura delas, social e financeiramente.

(Dados do Instituto Ipsos Marplan)

Hoje ainda é dia de rock

Início dos anos 70. Lá fora, o sonho já havia acabado e predominavam baladinhas tipo bom-moço dos Carpenters, Bread e outros, o roquizinho lantejoula de Elton John ou T. Rex do Marc Bolan ou o metaleiro Paranoid do Black Sabbat, que também faziam muito sucesso por aqui, mas o que rolava no Brasil era mesmo o desbunde, o udigrudi tupiniquim.

De repente, cabelos compridos viraram corte da moda. Batas indianas e calças bocas de sino enfeitavam vitrines de roupa “jovem”, da badalada Biba em Ipanema a qualquer mafuá do Saara. Nascera o hippie-hurra de boutique.

O bom mesmo é que aqueles discos que só eram encontrados caríssimos na Modern Sound (que já tinha se expandido, ocupando a área da Hobby Center e seu melhor autorama do Rio) agora estavam nas prateleiras de qualquer motodiscos ou loja ultralar.

E surgiu gente muito boa. Depois da louquíssima Sociedade da Grã Ordem Kavernista apresenta Sessão da Dez, Raul estourou com seu Let me sing my rock-and-roll, em um daqueles últimos festivais.

Apareceram bandas de pouca longevidade, mas que deram bons frutos como Terço, Patrulha do espaço e outros. Até o Ritchie, aquele da menina veneno, tocava numa banda de nome estranho como escaladácida (ou algo parecido) abrindo show da Bolha, ex-bubbles, com a guitarra do Pedroca cada dia melhor.

Um dos melhores grupos daquela época era o Som Imaginário, formado por músicos excelentes, mas quem mais me impressionou foi o Zé Rodrix tocando teclado e cantando Feira Moderna, em um show no minúsculo e apinhado Opinião.

No youtube, há um vídeo do programa Ensaio da TV Cultura de 1970. As imagens e o som são toscos, mas lá estão Wagner Tiso nos teclados, Frederyco e um de seus solos originalíssimos na guitarra, a batera do Robertinho e o baixo do Luiz Alves.



Tua cor é o que eles olham, velha chaga
Teu sorriso é o que eles temem, medo, medo

Feira moderna, o convite sensual
Oh! telefonista, a palavra já morreu
Meu coração é novo
Meu coração é novo
E eu nem li o jornal

Nessa caverna, o convite é sempre igual
Oh! telefonista, se a distância já morreu
Independência ou morte
Descansa em berço forte
A paz na Terra, amém

Passei a acompanhar a carreira do Zé durante e após o Som Imaginário.
Suas idas e vindas no Joelho de Porco.
Da parceria com Sá e Guarabira, Hoje é dia de rock é uma das minhas favoritas.



Eu tô doidin por uma viola
Mãe e pai, de doze cordas e quatro cristais
Pra eu poder tocar lá na cidade
Mãe e pai, esse meu blues de Minas Gerais
E o meu cateretê lá do Alabama
Mesmo que eu toque uma vezinha só
Eu descobri e acho que foi a tempo
Mãe e pai, que hoje ainda é dia de rock

Que hoje ainda é dia de rock
Que hoje ainda é dia de rock
Eu descobri olhando o milho verde
Mãe e pai que hoje ainda é dia de rock

Eu tô doidin por um pianin
Mãe e pai, com caixa Leslie e amplificador
Pra eu poder tocar lá na cidade
Mãe e pai, um rockizinho para o meu amor
Depois formar a minha eletrobanda
Que vai deixar as outras no roncó
Eu descobri e acho que foi a tempo
Mãe e pai, que hoje ainda é dia de rock

Que hoje ainda é dia de rock
Que hoje ainda é dia de rock
Eu descobri ouvindo a mula preta
Mãe e pai que hoje ainda é dia de rock

Eu quero uma casa no campo, na voz da Elis, virou clássico.
Depois veio a carreira solo e o jingle pro chevrolet.

É no silêncio de um chevrolet, que meu coração bate mais alto…
Enquanto o mundo perde a forma, eu me encontro em mim e é aqui que eu sempre vou seguir….
Meu coração…. bate mais alto dentro de um Chevrolet…

E lá se foi o Zé para a publicidade.

Há uns dois anos, o Zé ia dirigir o Rei Lagarto (ou Jim Morrison, o musical).
Acabou se demitindo e saiu disparando contra a utilização inescrupulosa da Lei Rouanet.

Vida longa à arte do Zé Rodrix.

Que leitor ranzinza!

Grande pechincha ou tremendo pepino?

No início do ano, me chamou a atenção a compra do jornal London Evening Standard.

É ou não é muito curioso o bilionário russo Alexander Lebedev pagar a bagatela de uma libra por 75% do controle acionário do jornal? É verdade que a circulação do Standard vinha despencando mais de 6% a cada mês, mas uma libra? Pechinchão.

O jornal ainda tentou levantar as vendas, oferecendo o exemplar pela metade do preço a partir das oito ou nove da noite, em março e abril.

Não deu certo e o Standard decidiu mudar radicalmente o layout e o conteúdo com base em uma pesquisa de mercado que indicava insatisfação dos leitores: os londrinos consideravam o jornal supernegativo, sem nada a ver com o ritmo badalativo da cidade.

Perdoa-me por me traíres

losingtouchNa semana passada, uma enorme campanha publicitária anunciou a mudança, exibindo mensagens sem o nome do jornal, mas com sua logomarca de Eros (no cantinho inferior esquerdo), em ônibus, metrô e outdoors.

A primeira mensagem pedia desculpas aos leitores:
Sorry for losing touch.

Tradução literal:
Desculpem por perder contato.

Ou mais livremente:
Foi mal, erramos na mão.

Em mensagens subsequentes, o jornal pedia desculpas por ter sido negativo, subestimar o leitor, ser complacente e previsível.

complacent

Politicagem e abobrinhas

É óbvio que o “pedido de desculpas” não passa de jogada de marketing.

E ainda há uns detalhezinhos mal explicados, como a súbita guinada do jornal, que passou a apoiar o partido trabalhista e virou sua artilharia para o antes queridinho partido conservador.

londevenstand_may_14
A edição da última quinta-feira exibe foto grandona do casal Mackay.

Tradução literal da manchete
Desmascarados: despesas do sr. e sra. Fujões.

O fujão da foto, Andrew Mackay, pediu demissão do cargo de conselheiro do líder do partido conservador após reconhecer que ele e a esposa, a deputada conservadora Julie Kirkbride, cometeram irregularidades no pedido de 258 mil dólares para uma segunda casa a que têm direito parlamentares com base eleitoral fora de Londres.

Como esse escândalo de políticos ingleses usando fundos públicos para pagar contas pessoais é pinto perto do que acontece por aqui, prefiro continuar meu papo como mero leitor de jornal.

E é como leitor de jornal que devo admitir que o novo London Evening Standard está realmente bonitão.

Tão bonitão que mais parece capa de revista do que primeira página de jornal.

E o conteúdo? Politicagem e abobrinhas…

Se der mais espaço para crimes, poderá até pedir cidadania brasileira.

Já pensou se a moda pega?

Nada mais natural que, atendendo à expectativa dos leitores, os jornais explorem variedades, entretenimento e coisa e tal.

O que não dá para admitir é que não cuidem do que lhes deveria ser essencial: a informação.

Informação não é uma materiazinha de um ou dois parágrafos que seguem fórmulas patetas do tipo Quem? O Quê? Quando? etc. e o que disseram dois sujeitos (geralmente, ouvidos por questão de disponibilidade e não de relevância ou representatividade), como se isso fosse “mostrar os dois lados”.

Mais do que meramente apresentar e explicar fatos, informação é debater ideias que fazem diferença.

Claro que ninguém deseja matérias de estilo pé-no-saco, nem proselitismo boboca.

O que está faltando é papo corajoso, atraente, mas instigante. Nem precisa ser efetivamente esclarecedor. Basta nos desafiar a pensar sobre o que está acontecendo.

Sem isso, não adianta fazer fila na minha porta, porque não desculpo, não.

Lennon at exhibition

Ontem, no Rock & Roll Hall Of Fame Annex de NY, foi aberta uma exposição de objetos de John Lennon relacionados à música, arte, política e cinema, com a cidade de Nova York como pano de fundo.

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Entre outros itens, a exposição, criada por Yoko, vai exibir pela primeira vez:

  • a camiseta sem mangas com o nome da cidade, que Lennon usou em uma de suas fotos mais conhecidas;
  • um autorretrato com o punho erguido à semelhança da Estátua da Liberdade;
  • a guitarra Telecaster que Lennon usou no concerto com Elton John de 1974;
  • manuscritos de letras de músicas.
Pertences de Lennon que Yoko recebeu após o assassinato.

Pertences de Lennon que Yoko recebeu após o assassinato.


Yoko incluiu também um saco de papel com as roupas ensanguentadas que Lennon usava na noite em que foi morto:
- Sei que é um tipo de paradoxo muito comovente e triste. John amava tanto esta cidade e acabou assassinado aqui.

Morbidez?

Mau gosto?

Não acho.

Colocar as roupas ensanguentadas no meio de um monte de coisas que celebram a vida?

Bem ao jeito de Lennon e Yoko:
paz e amor, mas de olho na realidade.

De fato, é mais uma sacolejada para a gente refletir, como no paradoxo aparente dos versos de Revolution:

We all want to change the world,
But when you talk about destruction
You can count me out (in)

Quando se fala em destruição,
pode-se contar com você dentro ou fora?

A ambivalência do verso de Revolution é apenas do Lennon ou é nossa também?

Não somos nós mesmos que escolhemos estar dentro ou fora?

Afinal, nós é que fazemos o que somos.

Cartum do Chico Caruso de 12/12/80, no JB.

Cartum do Chico Caruso de 12/12/80, no JB.

Tá em falta há muito tempo, mesmo

Hoje, na Folha, Eliane Cantanhêde lembra que Lula está perto de nomear mais dois juízes do Supremo: um para a vaga de Eros Grau (sua indicação) e outro para a de Ellen Gracie (indicado por FHC).

O Supremo passará a contar com 8 dos 11 juízes indicados pelo mesmo presidente e, por isso, a Associação dos Magistrados Brasileiros promoveu debate em Brasília sobre propostas para o acesso ao STF:

  1. Eleição nacional de advogados, juízes e procuradores. O risco é que o eleito, em vez de representatividade e conhecimento jurídico, prime pela lábia e esperteza política.
  2. Os próprios ministros do Supremo apresentariam uma lista tríplice ao presidente. O risco é cristalizar a composição do tribunal: se liberal, se eternizaria liberal; se conservador, idem. E deve ser o contrário: quanto mais diversificado melhor.
  3. Indicações do Executivo, Legislativo e Judiciário, afunilando até chegar ao nome, ou com rodízio das vagas, na base de um terço para cada Poder.
  4. Deixar como está e rezar para o presidente da República não ser personalista e autoritário.

Conforme lembra a Cantanhêde, é uma boa hora para discutir.

Faltou dizer que a forma de escolha atual não funciona apenas por pressupor espirito republicano:

  • do chefe da nação ao fazer indicações para o Supremo;
  • dos indicados para atuarem de acordo com as responsabilidades do cargo e não conforme os interesses de quem os indicou.

Qualquer que seja a forma de acesso ao Supremo, duvide-o-dó que possa dar certo com essa turma que está aí, simplesmente porque falta é vergonha na cara espírito republicano.