Mais que frase

Quem conta é o Millor: Em 1940, Paris ocupada pelos nazistas, dois oficiais alemães, diante do horripilante painel Guernica, perguntaram a Picasso: "Foi o senhor quem fez isto?" Ao que o intrépido pintor respondeu prontamente: "Não, foram os senhores."

Como os nazistas ganharam a guerra - Apresentação

Enchendo linguiça

Trabalho acumulado durante a semana, cursinho das 8 às 17h aos sábados, grama já virou matagal de quase 30 cm no quintal, barba por fazer… Vida de sempre e nenhum tempo para atualizar este blogue.

Aproveito para ressuscitar uma série antiga, Como os nazistas ganharam a guerra, já publicada alhures, mas, por respeito à falta de interesse dos leitores, nunca publicada na íntegra.

A série foi escrita há tempos, quando participava de uma dessas redes sociais que existem por aí. Em meio a uma discussão sobre movimentos neonazistas, não me lembro mais por que citei a operação paper-clip, uma operação realizada pelos EUA para disputar com os russos a posse de cientistas e pesquisadores, a elite da inteligência nazista, no final da segunda grande guerra.

Como a garotada não conhecia essa história, tentei escrever algo sobre o tema, sem dúvida, bastante desagradável.

O que Kubrik tem a ver com isso?

Fiquei imaginando como tentar suavizar um pouco a aridez do tema, sem ceder ao lugar comum das teorias conspiratórias associadas ao episódio e foi assim que cheguei ao filme do Kubrik, Dr. Fantástico, que transforma em comédia o que, em princípio, tinha tudo para ser um dramalhão.

Dando uma passadinha no teatro

Programa da montagem nos anos 70

Programa da montagem nos anos 70

Explico. No verão de 1974, a companhia Fernando Torres Diversões promoveu um festival de repertório. Eram apenas o Fernando Torres, a Fernanda Montenegro e o Zanoni Ferrite apresentando uma peça por dia no teatro João Caetano, durante uma semana inteira, com casa cheia todos os dias.

Sai um Strindberg com limão azedo!

Uma das peças foi o Seria cômico… Se não fosse sério.

Originalmente, era A dança da Morte, de August Strindberg, autor sueco do século XIX, famoso pela fragmentação do drama em cenas, cada uma com tensão própria. Só que ele era chegado a um realismo/naturalismo psicológico em que tudo acabava em um baita dramalhão.

Pra rebater, baixa um Durrenmat

No final de 1968, Frederico Durrenmat, dramaturgo alemão, fez uma adaptação da Dança da Morte e batizou-a como Play Strindberg (Representar Strindberg).

A adaptação é genial. Usando um distanciamento típico do teatro alemão dos anos 30 e mais uns temperos pós-moderninhos, Durrenmat transformou uma tragédia matrimonial na “comédia das tragédias matrimoniais”.

Poucos anos depois, a companhia do Fernando já estava montando a peça com o ótimo título da tradução brasileira:
Seria cômico… Se não fosse sério.

Voltando pro cinema

Cinco anos antes de Durrenmat criar o Play Strindberg, Kubrik fizera algo semelhante no filme Dr. Fantástico ou Como aprendi a parar de me preocupar e passei a amar a bomba, transformando uma trama de espionagem em comédia de humor negro.

A história de espionagem era o livro Alerta Vermelho. Não lembro o autor, mas ele topou a idéia do Kubrik e ainda foi corroteirista do filme.

Brevíssima sinopse incompleta ou o que lembro vagamente do enredo

No filme, o general Jack. D. Ripper (ou Jack, o estripador), acredita que os russos estão fazendo lavagem cerebral nos americanos, colocando substâncias químicas nos reservatórios que abastecem as águas das cidades. O general fecha o quartel e envia bombardeiros B52 para um ataque nuclear à Rússia.

Na sala de guerra do pentágono, o Mr. President reúne assessores, como o General Turgidson (literalmente, filho de uma bolha de gases) e o Dr. Strangelove (estranho amor), com toda pinta de criminoso nazista, mais o embaixador soviético, o camarada Sadesky (sádico).

Sadesky adverte que, em caso de bombardeio nuclear em solo russo, o mecanismo da máquina do juízo final será acionado automaticamente. Será o fim do mundo e nada poderá ser feito para impedi-lo.

kingkongDepois de muitas trapalhadas, eles conseguem que todos os aviões retornem, com exceção de um.

Na penúltima cena, King-Kong, o piloto texano do último B52, dispara, mas a bomba fica presa. King-Kong desce até a bomba e a libera manualmente.

A bomba cai levando King-Kong sentado. Satisfeito pelo dever cumprido, primeiro o piloto bate com as mãos no peito (previsível, muito previsível).

Depois, como bom texano, sacode o chapéu de caubói no ar enquanto mantém o equilíbrio na bomba que cai corcoveando.

A cena final é uma sucessão de explosões atômicas com a música We’ll Meet Again ao fundo, cantada por Vera Lynn, grande sucesso entre os americanos que partiam para a segunda grande guerra.

Originalmente, a cena final não era essa, mas foi considerada imprópria para o momento que os Estados Unidos viviam no final de 1963, logo após o assassinato do Kennedy, quando o filme estava sendo finalizado. Por muito tempo, foi considerada a cena nunca vista mais comentada na história do cinema.

Nos próximos domingos

Capítulo I. Das ambiguidades e contradições de um estranho amor
Capítulo II. Dr. Strangelove: ficção ou realidade?
Capítulo III. A ameaça vermelha!
Capítulo IV. Revelada a cena nunca vista mais comentada no cinema mundial

3 comentários para Como os nazistas ganharam a guerra - Apresentação

  • “… por respeito à falta de interesse dos leitores, nunca publicada na íntegra.” Brincadeira ler isso aqui, hein? Eu já li essa introdução da série umas 987876559009887356547937795 de vezes. Estou louca para ler os outros capítulos. Chega de embromação. Dê logo continuidade!

  • Um estilo leve para uma crônica sobre um episódio da pesada. Um importante resgate da história e da cultura . Aguardo a continuação.
    Abraços visuais webcamianos! ahahah.
    Luiz Ramos

  • miguel ferreira

    Freitas, concordo em gênero ,número e grau , e lhe dou os parabéns por sua visão :Dr Strangelove, operação paperclip e neonazismo, tem tudo haver. Não foi por bobeira, essa sua conexão. Queria saber onde encontro os Blogs nos quais vc discutiu os movimentos neonazistas.Obrigado e Até mais .

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