Mais que frase

Quem conta é o Millor: Em 1940, Paris ocupada pelos nazistas, dois oficiais alemães, diante do horripilante painel Guernica, perguntaram a Picasso: "Foi o senhor quem fez isto?" Ao que o intrépido pintor respondeu prontamente: "Não, foram os senhores."

Como os nazistas… Cap. I

No domingo passado:

Como os nazistas ganharam a guerra - Apresentação

Hoje:

Capítulo I. Das ambiguidades e contradições de um estranho amor

Estranho amor

Dr. StrangeLove, interpretado magistralmente por Peter Sellers, é uma das melhores personagens criadas por Stanley Kubrick em 1963. Mesmo não sendo a personagem principal acabou dando nome ao filme.

E o título inicial, que passou a subtítulo, não era de se jogar fora: Como aprendi a parar de me preocupar e passei a amar a bomba.

De estranho e fantástico todo mundo tem um pouco

No Brasil, o título e a personagem viraram Dr. Fantástico. Uma fantástica falta de imaginação!

Afinal, a mera tradução literal, Dr. Estranho Amor (como fizeram em Portugal), preservaria a ambigüidade do Inglês, instigando a curiosidade do público: dentre tantas possibilidades do amor, qual seria a estranheza desse amor?

Parece que, aqui no Brasil, alguém deve ter achado que amor estranho não poderia ser coisa boa. Deveria ser alguma pouca-vergonha, uma safadeza daquelas. Deve ter sido isso. Nem se cogitou da estranheza de se amar a bomba.

Assim, Dr. StrangeLove virou Dr. Fantástico.

Almas gêmeas

No filme, a personagem do StrangeLove parece mais contraditório do que ambíguo.

Com toda a pinta de ex-nazista, criminoso de guerra da pesada, StrangeLove assessora o Mr. President. Apesar de ser um dos principais guias do Mr. President, StrangeLove não pode se valer das próprias pernas: precisa que alguém lhe empurre a cadeira de rodas. Verdadeiras almas gêmeas!

A mão saúda o antigo senhor

A mão saúda o antigo senhor


Olha essa mão aí, rapaz!

Deve haver outros detalhes contraditórios de que não me lembro.

O mais contraditório (e divertido) é que o StrangeLove sofre da terrível SMDD ou Síndrome da Mão Direita Doidona, com vontade própria.

Não deve ser fácil ter uma mão direita metida a sinistra.

Vestida em lúgubre luva de couro negro, a destra fica quietinha, inerte e à espreita.

Espera o melhor momento para aprontar travessuras como a saudação nazista ou atacar o próprio dono, tentando esganar seu pescoço.

A salvação (até quando?) é que sempre que a direita tenta esganá-lo, StrangeLove conta com a brava intervenção da fiel esquerda que, com seus golpes violentos. sempre consegue libertá-lo.

A esquerda impede que a fúria da direita esgane StrangeLove

A esquerda impede que a fúria da direita esgane StrangeLove

O sonho de um mundo novo

Mein Fuhrer! I can walk AGAIN!

Mein Fuhrer! I can walk AGAIN!

Quando não há mais como deter o último B52 americano e o consequente contra-ataque da máquina russa do juízo final, o pessimismo toma conta de todos, menos de StrangeLove.

Para ele, nem tudo está perdido.

Pelo contrário, é a grande e sonhada oportunidade de criar um mundo novo.

Com evidente excitaçãozinha crescente, StrangeLove expõe seu novo velho plano:

Primeiro, providenciar minas de carvão bem profundas a serem usadas como abrigos subterrâneos.

Em segundo lugar, equipá-las com estufas para garantir produção agro-pecuária.

Por fim, o auge do plano:

Selecionar um grupo de seres humanos, de saúde e genética superiores, a fim de formar uma nova raça.

E StrangeLove ergue-se da cadeira de rodas e grita emocionado:

- Meu Fuhrer! Eu posso andar!

E os nazistas ganham no final

No filme, Estados Unidos e Rússia, que haviam sido aliados contra o holocausto imposto pelos nazistas na segunda grande guerra, acabam se destruindo e provocam um holocausto ainda maior e derradeiro.

Sobreviveriam apenas os humanos de uma raça suprema, formada exclusivamente por “seres sadios e puros”, os tais ubermensch ou super-homens, submetidos a uma rigorosa ordem militar em um mundo subterrâneo.

É a possibilidade de realização do grande sonho de um novo mundo nazista que dá forças a StrangeLove para se erguer da cadeira de rodas e voltar a caminhar. Milagres de um estranhíssimo amor!

No próximo capítulo

É fato que, por meio de operações espetaculares como a do clipe de papel, grande parte da inteligência nazista, formada por tipos como o StrangeLove, foi levada para os Estados Unidos e para a Rússia.

A questão, a ser revelada no próximo capítulo, é se a personagem Dr. Strangelove é fictícia ou baseada em fatos reais.

Nos próximos domingos

Capítulo II. Dr. Strangelove: ficção ou realidade?
Capítulo III. A ameaça vermelha!
Capítulo IV. Revelada a cena nunca vista mais comentada no cinema mundial

2 comentários para Como os nazistas… Cap. I

  • Realmente o tradutor não foi muito feliz com a escolha do título em português-br… hehehe
    Aguardando o próximo capítulo.. estou achando que já li a série toda… mas tudo bem, leio de novo com prazer!
    Beijos.

  • Nicolau

    Uma porcaria tipica dos Pederastas viados americanos sem cultura e sem carater. Lixo americano! Stanley Kubrick, um Parasita e analfabeto destruidor de culturas!

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