Mais que frase

Quem conta é o Millor: Em 1940, Paris ocupada pelos nazistas, dois oficiais alemães, diante do horripilante painel Guernica, perguntaram a Picasso: "Foi o senhor quem fez isto?" Ao que o intrépido pintor respondeu prontamente: "Não, foram os senhores."

Detetive Perpétuo: 45 anos

O texto que reproduzo neste post, foi publicado alguns dias depois do assassinato do Detetive Perpétuo, em 1o. de setembro de 1964.

Infelizmente, não posso precisar a data, o jornal em que foi publicado, nem seu autor.

Guardo o recorte há 45 anos, com muito orgulho do que meu pai representava naqueles tempos.

A morte de um homem bom

Este não é o elogio cômodo a um homem morto, mas o testemunho de um repórter de polícia que com ele conviveu durante mais

mortehomembomde dez anos.

Antes do policial valente e decidido, Perpétuo de Freitas era, sobretudo, um homem generoso.

Durante sua trajetória como caçador de bandidos, conquistou a estima e a gratidão das populações faveladas, a quem sempre protegeu, e o respeito dos marginais que nele identificavam um agente inflexível da lei, mas nunca um espancador ou torturador.

Era justamente esse respeito que levava os piores bandidos a se entregarem a Perpétuo, por saberem que “a um preso de Perpétuo não se espanca”.

Os que se atreveram a reagir contra ele nunca souberam realmente o que estavam fazendo e nunca tiveram a chance de sabê-lo.

Durante a gestão do general Amauri Kruel, Perpétuo ficou em posição de evidência, mas foi sob a chefia do então coronel Barros Nunes, o Cacau, que pôde desenvolver toda a sua atividade de detetive excepcional.

Cacau encarregou-o de moralizar a célebre Favela do Esqueleto e foi ali, onde acabou morrendo, que deu a grande demonstração de suas qualidades humanas: livrou o lugar de marginais, abriu pequenas ruas, construiu escola, posto médico e chegou a promover competições esportivas entre filhos de favelados.

Um detalhe: essas obras foram realizadas pelos próprios favelados sob a direção de Perpétuo, que obrigava os “menos amigos do trabalho” a limpar o Esqueleto, empregando-os numa atividade útil que lhes ocupava o tempo e impedia que se atirassem ao crime e aos vícios.

Perpétuo mudou o nome do lugar para Vila São Jorge e passou a chefiar o posto policial.

Jornalista e radialista, Perpétuo era ligadíssimo aos colegas da imprensa e muitos planos de caçadas a bandidos perigosos foram traçados na antiga sala de imprensa da Polícia Central.

Seria necessário muito espaço para resumir, apenas, o muito que a Cidade fica devendo a este seu incansável defensor.

A foto foi tomada depois de uma vigília de 24 horas no Morro da Mangueira, ao lado do repórter Vicente Coscordo, quando Perpétuo prendeu o famoso Mauro Guerra.

Parece impossível concebê-lo morto; e só mesmo a Polícia provou que Perpétuo não era imortal.

14 comentários para Detetive Perpétuo: 45 anos

  • Oi Freitas! Imagino que publicar esse post não tenha sido nada fácil, pela morte inaceitável, pela saudade que ainda existe em você. Mas ainda bem que o seu pai é daqueles que enchem de orgulho qualquer brasileiro, o que o faz imortal de certa forma. Grande história!
    Beijo no coração!

  • marc

    Imortalidade???? Não do corpo! Mas quanto ao espírito, esta sim é sua essência.A morte? Não um adieu, mas um au revoir…reencarnamos, reencontramos com todos ..amigos, inimigos, indiferentes..matamos as saudades e, principalmente resolvemos as pendências , perdoamos e reaprendemos a lidar com as incertezas e defeitos. Voilá!

  • Olá Freitas!!Quanto tempo…
    Linda homenagem ao seu querido pai.Um homem de fibra.
    Posso imaginar a sua dor.
    Um beijo e fique bem.

  • Olá Freitas!!Quanto tempo…
    Linda homenagem ao seu querido pai.Um homem de fibra.
    Posso imaginar a sua dor.
    Um beijo e fique bem.

  • marc

    45 anos…muito tempo…pouco tempo…..nós é que determinamos…deixemos numa gaveta bonita e cheirosa as recordações e sigamos em frente construindo um futuro….o passado fica no coração quietinho, pulsante e o futuro em nossos pés e linguas, fogoso , construtor…c’est la vie….

  • marc

    45 anos….muito tempo…o tempo passa rápido, mas não apaga as emoções….se pudéssemos voltar no tempo??? seria bom…teríamos uma outra visão de tudo…mas Deus é quem sabe….

  • Sempre lí sobre a crônica policial do Rio, e, não podia deixar de citar um ícone da polícia, o Detetive Perpétuo. Lendo como foi o Assalto do Trem Pagador,encontro o nome do Detetive Perpétuo como um dos que devendou e prendeu a quadrilha. Gostaria , se possível, saber como a quadrilha de Tião Medonho sabia que o trem transportava tanto dinheiro, ou seja, havia informante dentro da RFFSA?.

  • wladimir

    Caro,
    Conheci seu pai na Rádio Globo. Ele era amigo do meu, o produtor do programa A CIDADE CONTRA O CRIME. Estou escrevendo algo em que pretendo homenagear seu pai, com sua permissão. Comunique-se,
    Um abraço,
    W

  • Olá, Wladimir

    Fui algumas vezes aos estúdios da rádio globo quando meu pai participava do programa A cidade contra o crime.

    Da turma do programa, lembro-me bem do Sérgio Moraes e do Nelson Batinga. Figuraças!

    Uma única vez, alguém disse: -Aquele lá no final do corredor é o Moyses Weltman.

    Rapaz, foi a maior emoção. Meu irmão e eu, e toda a garotada da minha rua, não perdíamos um capítulo do Jerônimo o herói do sertão. Era um tremendo sucesso nacional.

    Fico muito feliz com seu comentário, porque sou grande fã do seu pai, Moyses Weltman, que fez história no rádio e na tv do Brasil.

    Um abração do Freitas

  • ERIBELTON

    OLÁ,MEU AVÓ ERA TIO DE SEU PAI,AINDA LEMBRO QUE MINHA MAE E TIOS LEMBRAVAM MUITO DE SEU PAI GRANDE HOMEM !!!

  • Ricardo

    Eu conheci a familía do detetive Perpétuo, pessoa maravilhosa que quando chegava em sua casa com seu carro preto, abria o porta-mala do carro, e tirava uma penca de banana e dava para a garotada que estava jogando bola na rua, eu morava quase em frente a casa dele.Lembro do enterro dele, e foi um dia muito triste.

  • marc

    Homenagens??? Aqueles que se foram talvez prefiram preces…principalmente as ditas pelo coração , em silêncio , sem estardalhaço….dizem que as memórias não têm donos , mas a reverência legítima sim…para citações , há que se ter permissão de TODOS…não apenas de um ..para isso a justiça dos homens respalda e adivina abraça..voilà….preces , sim…homenagens , observem-se os dispostos legais!!

  • Paulus

    Conheci um pouco da historia de seu pai através do livro Barra Pesada, do Pena Branca. Numa foto, aparecem objetos que pertenceram ao Det. Perpétuo, entre eles, um poncho e é mencionado na legenda o chimarrão, que não aparece na foto. Pergunto: seu pai era gaúcho? Fiquei curioso, pois também sou e ficaria feliz em obter mais detalhes da biografia dele. Obrigado.

  • marc

    Não era gaúcho não…..de mato grosso..fronteira com o Paraguai….

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